quinta-feira, 8 de julho de 2010

Just dance!


Lendo o post Atletas da arte no blog do Márden, me veio a idéia de falar sobre a dança de salão. Mas não vou perder tempo falando da história, dos ritmos etc., porque isso você encontra em qualquer lugar, quero dar o meu depoimento do que a dança fez por mim.

Em janeiro de 2009, eu e Correspondente Anônimo começamos a freqüentar (eu tento, mas não consigo escrever sem trema...) as aulas de dança de salão ofertadas pela nossa academia junto com o bom e sem-futuro plano semestral. Eu comecei com duas semanas de atraso e já peguei o carro andando.

Primeira dificuldade: não desistir diante de um mundo de dificuldades. Meus membros pareciam que estavam todos brigados, não conseguia coordenar os passos, e quando conseguia, perdia o tempo da música.. era frustração por cima de frustração. Os olhos enchiam de água, sem falar das vezes que dava aquela vontade de sair correndo da sala e ir chorar e gritar em algum lugar escondido com o que me restava de dignidade.

Segunda dificuldade: assumir os próprios erros. Pobre do C.A. que teve (acho que ainda tem, às vezes ;P) que me agüentar fazendo caras malvadas quando ele 'errava' (ou seja, quando os meus dois pés esquerdos atrapalhavam a coreografia). Depois passei a partir do pressuposto de que eu sempre errava, as coisas começaram a progredir.

Terceira dificuldade: ciúmes! Apesar de termos praticamente nascido namorando, tinha ciúmes viscerais de C.A. Só que na aula de dança, transbordam meninas e meninos são artigos de luxo. A egoísta aqui teve de aprender a dividir.  No começo, ficava buscando sinais de olhares ilícitos nas minhas colegas de turma enquanto dançavam com o meu namorado. Um dia parei e vi que estava perdendo tempo com ilusões sem fundamento e que C.A. nunca pareceu ter dúvidas do que sente por mim. Ai os ciúmes foram exorcizados.

Quarta dificuldade: timidez. Já sei até a cara que você está fazendo agora. Pensa que é fácil ir até o centro da sala e dançar a bendita seqüência de passos? Ai voltam os dois pés esquerdos. OK, leve a sério, pelo menos a timidez de C.A. Hoje em dia, o moço é um verdadeiro monitor nas aulas, passa os passos para os novatos. 

Quinta dificuldade: condução masculina. Talvez devesse ter colocado essa dificuldade lá no início. Um feminismo incubado despertou-se em mim quando meus professores esclareceram que o homem deveria conduzir a dança, e nós mocinhas, deveríamos obedecer cegamente... No começo, ficava disputando com C.A. nem que fosse me antecipando um pouco, só para não dar o braço a torcer. Depois percebi que a responsabilidade ficava com eles, então relaxei.

Sexta dificuldade: comunicação não-verbal. Mais especificamente, comunicação corporal. Superado trauma da condução, tem algo que é, para mim, uma dificuldade que ainda não foi superada: saber o que o par quer, qual é o próximo passo. Um bom cavalheiro leva a dama a fazer todos os passos (ainda que não queira, segundo o meu prof.). As mãos se comunicam com as costas e indicam para que lado ir, quando girar, empurram ou puxam. Quanto menor o intervalo entre o gesto e sua decodificação, mais bonita, contínua e fluída fica a dança. Estamos trabalhando nisso.

Ai você se pergunta se vale todo esse trabalho aprender a dançar. Veja o vídeo abaixo:


Pronto, feche a boca e continue lendo. Tive a oportunidade de conhecer Jose Fernandez e Melody Celatti em um Workshop de Tango de que participei na sexta-feira passada. Os dois são argentinos, dançam juntos há cinco anos e são campeões mundiais. Só. São dois amores, poços de gentileza e humildade, que falam um espanhol corrido que nem nossa amiga colombiana conseguia entender muitas vezes. Como eu e C.A. recebemos o convite em cima da hora, não deu tempo de pesquisar nada sobre os dois. Ai fomos para a aula,  inocentes, achando que era um casal argentino normal que dançava tango, aprendemos uns passos sinistros (devidamente gravados para evitar o esquecimento certo) e depois os dois dançaram para nós pobres mortais alunos pernas de pau. Nós os adoramos. No domingo, tivemos a curiosidade de procurar alguns vídeos no youtube, já que não vimos a apresentação deles na sexta à noite por ocasião do Fendafor. Bateu uma tristeza e um despero misturado com uma admiração profunda advinda da beleza, de uma verdadeira magia que emana dos dois. Os olhos não conseguem acompanhar os passos rápidos e precisos. Os dois parecem um só ao mesmo tempo que são dois seres definidos e escandalosamente maravilhosos.
Eu quero ser assim quando crescer! Ufa! Chega! Já é amanhã e eu ainda estou aqui!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Livro: A senhora do jogo



O livro já causa controvérsia na capa. Tem o nome de Sidney Sheldon estampado na capa, mas foi lançado depois de sua morte (em 2007). Foi psicografado? Não, nada muito sofisticado e sobrenatural assim. Embaixo das letras garrafais do nosso conhecido autor, tem o nome da responsável por finalizar o livro o próprio Sidney iniciou: Tilly Bagshawe.
Trata-se de continuação de um dos melhores (senão o melhor) livros de Sidney Sheldon, 'O reverso da medalha", que conta a saga de várias gerações da família Blackwell e seu império.
Neste livro, temos Eve e Alexandra e seus respectivos filhos Max  e Lexi que irão continuar a sua rivalidade e brigarão pela presidência da Kruger-Brent.
Aventura, romance, drama, sexo (acho que até demais) e jogos de poder, você encontrará nesse livro. 
A história se inicia com Lexi, no dia de seu casamento, prestes a ser presa em razão de uma denúncia. Daí somos levados para o nascimento da nossa heroína e toda a sua tragetória.Essas inversões de enredo são comuns no livro e chega a ser chato, às vezes, ainda mais para uma criatura como eu que, quando fica curiosa, sai querendo abarcar dois parágrafos com os olhos e depois esquece do que leu. Lexi tem o mesmo amor pela Kruger-Brent que sua avó, Kate Blackwell. Paralelamente, Eve cria seu filho Max como sua arma de destruição de tudo que é relacionado a sua irmã. Com o rosto deformado propositalmente por seu marido, Eve se mantem enclausurada e afastada da vida pública e educa Max para ser o instrumento de sua vingança. 
Achei a linguagem mais vulgar do que o normal,  não sei é a falta de costume ou hoje em dia há mais liberdade nas traduções. Em alguns momentos, cheguei a me perguntar que raios eu estava lendo? Outra coisa excessiva e cansativa é a perfeição de todos os personagens. Tudo é perfeito, pele, dentes, voz, cabelo, corpo. Só falta dizer que todo mundo acordava com hálito perfeito de manhã e não usava banheiro para fazer o nº 1 e 2. Tudo tinha que dizer que a marca do casaquinho era Fulano de Tal, sofá Sicrana não sei da onde.Depois de um tempo, me questionei se eles não estavam fazendo propaganda (tipo aquela que faz na novela...) O povo é rico, a gente já entendeu, não precisa ficar esfregando na cara dos pobres mortais. Todo mundo é chique, lindo, rico e atlético.Ora um bando de workaholic que respirava, dormia e acordava trabalho, não tem tempo de ir à academia, salão de beleza, passar creme, fazer maquiagem, mas sempre todo mundo estava 'perfeito', sem um amassado na camisa, caspa no colarinho, ou com cabelo enroscado na roupa, sem olheiras. Agora se a pessoa for fraca, medíocre, tem que ser gorda, feia, com mancha de suor embaixo do braço, com terno barato ou brincos de plástico. O maniqueísmo eu ainda engulo, mas essa esteriotipagem atravessada já passa dos limites!
A despeito de todas as reclamações acima, não consegui largar o livro. Tilly tem o mérito de ter conseguido ser fiel à escrita de Sheldon em praticamente todos os sentidos, reproduzindo a mesma técnica de manter o clímax no final do capítulo, praticamente obrigando você a seguir para o próximo. Estava lendo dentro do carro, na fila do banco, em todo lugar, tanto era a ânsia de terminar.
Gostoso de ler (com as observações acima), com um enredo que prende o leitor em praticamente toda a história, é uma ótima pedida para os amantes de SS matarem a saudade de seu ídolo.
A Livraria Cultura disponibilizou o 1º capítulo do livro, confira abaixo:

A senhora do jogo - capítulo 01 - Livraria cultura                                                            

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Vik Muniz

esde abril até agosto deste ano, é possível visitar gratuitamente a exposição de Vik Muniz no Espaço Unifor.
Vik Muniz é brasileiro e atualmente mora em Nova Iorque. Utiliza-se dos materiais mais impensáveis para fazer arte, tais como açúcar, terra, pigmentos, algodão, lixo, aviões e fumaça, macarrão, geléia, chocolate, entre outros. Parte do pressuposto que o artista contribui com apenas parte da obra e o espectador contribui com o restante.Em uma palavra: Surpreendente! As obras geram encantamento, admiração, são um deleite visual, uma brincadeira deliciosa de figura e fundo.Chega de conversa, vamos dar uma espiadinha nessas obras!


 How about diamonds? Um amigo de Muniz, dono de uma joalheira, ofereceu-lhe diamentes para que ele
elaborasse obras para serem vendidas em um leilão beneficente. Decidiu reproduzir as divas hollywoodianas. Na foto, Elizabeth Taylor.

Arte que dá água na boca:

Monalisa em geléia de amora e doce de leite.



Medusa na macarronada





Uma curiosidade sobre as obras com chocolate: a calda de chocolate perde o brilho com o tempo. Assim, Vik teve de ensaiar algumas obras a fim de encontrar a forma mais rápida de executá-las para conseguir registrá-las com o brilho do chocolate. É mole?


Crianças de açúcar

Utilizando um fundo preto, Vik conseguiu essas imagens povilhando açúcar.

Não sabe o que fazer com seu lixo, faça arte!

Abaixo o Narciso de Vik Muniz e o vídeo do making of .




Qualquer semelhança com a abertura da novela Passione não é mera coincidência. 



Bom, fico por aqui, o restante você confere na exposição. Não perca!

Espaço Cultural Unifor
Visitação | 16 de abril a 8 de agosto de 2010
Aberta ao público de terça a sexta, das 10h às 20h, e sábados e domingos, das 10h às 18h, no Espaço Cultural Unifor
Entrada gratuita – Estacionamento no local
Agendamento de visitas guiadas para grupos de visitantes - 85 3477 3319

Copa do mundo e a personalidade brasileira

Não sou muito fã de futebol, mas na copa eu gosto de assistir aos jogos. Só que só assisto aos do Brasil porque é quando nos liberam do trabalho, os outros não dá. Não só no futebol, mas em quase todas as modalidades esportivas, gosto de ver uma boa disputa, a superação, as reviravoltas, a diferença que faz um espírito forte ou fraco, enfim, de certa forma os esportes acabam despertando em mim sentimentos que estão presentes em todas as situações da vida. O jogo vira um tubo de ensaio das emoções do experimento muito maior que é a minha vida. E foi exatamente isso que ficou pulsando na minha cabeça todos esses dias de jogos do Brasil. A cada jogo emoções diferentes afloravam, desde o primeiro até hoje, três dias após sua derrota, quando resolvi sentar pra escrever um pouco.
Antes de começar meu post, uma breve consideração para aplacar o ufanismo tupiniquim: quando me refiro ao(s) brasileiro(s), estou falando de uma característica geral e não da de cada indivíduo dessa nação, ou seja, estou me referindo a características que identifico no grupo, não estou falando especificamente de você nem de mim.

1) No jogo Brasil x Portugal, como o nosso time já estava classificado para a fase seguinte, o jogo foi aquela enrolação e o placar foi o belo 0 x 0. Assisti ali a uma característica bem peculiar do brasileiro: só fazer o mínimo esforço suficiente para conseguir o que precisa. Lembrei da época de colégio, onde teve aquela matéria que a gente tirou notas boas durante o ano todo e na última prova pensava “só preciso de uma nota 4 para passar” e então só se estudava para tirar o 4 necessário. Porque que de uma maneira geral, no espírito do brasileiro, não existe um prazer pela excelência? E pior, por incrível que pareça, usando ainda o exemplo, acredito que um aluno que almeje sempre aprender tudo para tirar boas notas, certamente é chamado de caxias, nerd ou até hostilizado por outros alunos. Assim também na vida profissional, quando alguém quer vencer, se destacar, sair da pobreza através do esforço próprio, geralmente encontra como obstáculo o incômodo alheio. “Fulano só quer ser melhor que os outros!”. Penso que nos meios menos intelectualizados, onde a Igreja Católica influencia bem mais nos valores morais e, portanto, na formação da personalidade e caráter desses indivíduos, exista uma idéia distorcida de que a mediocridade e o sofrimento são, de certa forma, meios de se aproximar de Deus, pois ele terá pena dos que sofreram. Confunde-se aí simplicidade e humildade com preguiça e indolência e acredita-se que quanto maior o sofrimento e a privação de bem-estar do indivíduo, maior será sua recompensa no céu. Basta lembrar da passagem da Bíblia que diz que “é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Embora eu ache que o rico ao qual a Bíblia se referia era o avaro, ganancioso, mas já existe um sentimento negativo contra aqueles que se destacam, que têm êxito, que vencem, ainda que honestamente e ainda que tenham saído da mesma origem pobre que seu semelhantes. Não, a prosperidade não é bem aceita onde reina a mediocridade. Diferente dos países influenciados pelo anglicanismo, que vêem com bons olhos a riqueza, a prosperidade e o êxito, desde que frutos do trabalho árduo, percebe-se no Brasil uma idéia meio doida de que vencer na vida ou ter grana significa de alguma forma ser ruim e que o bom mesmo é ficar "quietinho" sem se destacar muito pra não incomodar ninguém.

2) Chegamos ao famigerado Brasil x Holanda. Ok, eu sei que futebol é um jogo de 11 jogadores contra outros 11 e que nem sempre os melhores times vão para a final. Sei que há uma conjunção de vários fatores que pode levar o time à vitória, mas só existe uma coisa se espera ao assistir um jogo de futebol, seja qual for a nacionalidade do torcedor: a determinação de ganhar. Ouvi diversas pessoas repetindo que queriam logo que a Argentina perdesse para que o Brasil não tivesse que correr o risco de enfrentá-la em uma final. Hãããã???????? Pra mim isso era admitir que a Argentina era melhor do que o Brasil e que pra este chegar ao topo teria que contar com a sorte de enfrentar adversários fracos. Meu amigo, que vença o melhor!!!! E seja o melhor no que quer que você faça! Ao invés de rezar pra encontrar um adversário fraco, dedique-se, treine, supere-se e esforce-se ao máximo para ser melhor do que qualquer um, esse é o espírito dos jogos, seja qual for a modalidade! No entanto, bastou a Holanda empatar para assistirmos claramente na cara dos jogadores a expressão de “e agora???”. Ali o jogo estava zerado, chances iguais para os dois, mas prevaleceu a mediocridade.

3) Torci em todos os jogos pelo Brasil. Queria, sim, ver meu país campeão. Não sou anti-Brasil e nem anti-brasileiro, embora eu também não seja o fã número um de nenhum dos dois. Só que eu nunca comprei esse sentimento idiota que se vende a toda hora de que a Argentina é nossa grande rival e de que eu tenho que detestar os argentinos, acho isso a maior cretinice.  Aqui perto de casa soltavam fogos e gritava-se de euforia a cada gol que a Argentina tomava. Se duvidar a torcida contra a Argentina era maior do que a favor do Brasil! No dia seguinte à derrota do Brasil quase TODO MUNDO retirou de suas janelas as bandeiras brasileiras. E acabar sou eu que não gosto do Brasil! Que patriotismo é esse onde só se expressa sentimento de apoio e amor ao país se o time ganhar??? Palmas para a Argentina que apesar do placar de 4 x 0 contra ela, demonstrou garra para vencer até o último minuto, mesmo quando já era impossível ganhar. Uma postura de coragem, de lutadores. E palmas pro Maradona que beijou e abraçou cada um de seus jogadores demonstrando que eles estavam sendo agradecidos por terem lutado bravamente pelo país deles. Era esse o sentimento que eu queria ver prevalecer no meu país: o de orgulho por tentar vencer, o de verdadeiro amor ao país.
Beijos e abraços a todos!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Coincidências?

Eu sou apaixonada pelas músicas dos anos 80 e 90 e, recentemente, solucionei uma dúvida que via me perseguindo há muito tempo:existia uma música que sempre pensei ter duas versões. Na verdade, eu descobri que confundia as músicas "I Can't go for that" (Hall & Oates) e "Sunrise" (Simply Red). Quando começava a tocar, nunca lembrava se era a mesma música ou uma versão remixada. Até que vi que, deliberadamente, na introdução da  música Sunrise, é utilizada a mesma melodia inicial de "I can't go for that'. Não é parecido não, minha gente, é IGUAL! Olha só:





Se você está se perguntando Who the hell são Daryl Hall e John Oates, procure Maneater (não a versão da Nelly Furtado), um verdadeiro clássico dos anos 80 que alcançou o topo da Billboard Hot e lá ficou por 4 semanas.Tudo bem, tudo bem! Vou facilitar sua vida, confira o vídeo abaixo:





Nos anos dourados:


Meu amigo, esse seu bigode é agressivo...
Atualmente:

Poxa, o tempo não fui muito legal com vocês... Eh.. sobre o bigode, retiro o que disse... você fica melhor com...É impressão ou Oates encolheu....

Aproveitando o ensejo tem mais uma 'coincidência':






Aqui vou colocar a original em segundo, para ficar mais fácil de identificar a semelhança. Nesse caso, entretanto, um 'sample' (um pedacinho pequenininho) da música do Red Hot é a base da música dos malucos do Crazy Town. Não é escancaradamente igual e não dá para confundir as músicas.

Não dizem as más línguas que nada se cria tudo se copia...

domingo, 20 de junho de 2010

Abaixo a rabugice!

Ontem eu fui comprar um frango assado pro almoço e, no momento em que eu estava fazendo o meu pedido para o caixa, uma senhora de idade chegou, sem pedir licença, e disse “me dê duas lingüiças”. O caixa então, simpaticamente, se dirigiu a ela e disse: “senhora, só um minuto que eu já lhe atendo, estou só terminando de atender esse pedido”. A senhora então, com sua cara rabugenta, disse “rapaz, eu sou prioridade!”...

Olha, eu já estava num daqueles dias sem muito saco e não tinha gostado da intromissão dela, depois daquela frase então, me veio uma raiva e só não disse um desaforo pra ela porque a idéia de que em breve aquela velha estaria morta me consolou. Não, não sou politicamente correto. Só a Adriane Galisteu é que é legal o tempo todo, gosta de todo mundo e está sempre “feliz”.

Meu post de hoje é sobre como o nascimento de um direito possibilita a manifestação da falta de educação e da intolerância em algumas pessoas.


Nos supermercados já passei diversas vezes pela mesma situação. Algumas pessoas de idade entendem (erroneamente) que prioridade significa que no exato momento em que eles quiserem ser atendidos, o atendente tem a obrigação de interromper o que quer que esteja fazendo para servi-los. No meu trabalho, habitualmente é formada uma fila para o elevador. Ora, é lógico que eu não quero que uma pessoa de idade espere numa fila grande, muito menos as grávidas ou os deficientes físicos. Todos eles têm, sim, prioridade, em virtude de sua situação especial (leia-se desvantajosa), só que existem maneiras e maneiras de se exercer um direito. Alguns velhos de lá simplesmente, no momento em que as pessoas estão entrando, surgem como uma bruxa que chega voando e atravessam na frente das pessoas com aquela cara e atitude grosseira de eu-tenho-prioridade. Caramba, isso está me irritando muito ultimamente!

Não, esse post não é anti-velhos, é um post anti-mal-educados. Nunca gostei muito desse lance de direito dos negros, dos velhos, disso ou daquilo. Entendo perfeitamente que alguns grupos precisam de um amparo maior em face de sua fragilidade física ou social, mas assim como esses grupos exigem respeito e educação eles também precisam dar. E, como já disse, esse não é um post anti-velhos. Graças a Deus de vez em quando me deparo com velhinhos super simpáticos, que não acham que vão morrer na fila se esperarem uma ou duas pessoas serem atendidas na sua frente ou que, com muito bom humor, respeito ou paciência, sabem exigir seus direitos quando querem ou simplesmente abrir mão deles quando vêem que isso não vai lhes causar nenhum prejuízo.

Não tem problema nenhum em ser velho, o problema está em ser chato, seja qual for a idade!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Adeus, Saramago!


''No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. A passagem do ano não tinha deixado atrás de si o habitual e calamitoso regueiro de óbitos, como se a velha átropos da dentuça arreganhada tivesse resolvido embainhar a tesoura por um dia. Sangue, porém, houve-o, e não pouco. Desvairados, confusos, aflitos, dominando a custo as náuseas, os bombeiros extraíam da amálgama dos destroços míseros corpos humanos que, de acordo com a lógica matemática das colisões, deveriam estar mortos e bem mortos, mas que, apesar da gravidade dos ferimentos e dos traumatismos sofridos, se mantinham vivos e assim eram transportados aos hospitais, ao som das dilacerantes sereias das ambulâncias. Nenhuma dessas pessoas morreria no caminho e todas iriam desmentir os mais pessimistas prognósticos médicos, Esse pobre diabo não tem remédio possível, nem valia a pena perder tempo a operá-lo, dizia o cirurgião à enfermeira enquanto esta lhe ajustava a máscara à cara. Realmente, talvez não houvesse salvação para o coitado no dia anterior, mas o que estava claro é que a vítima se recusava a morrer neste. E o que acontecia aqui, acontecia em todo o país.''  Intermitências da Morte

Quem dera a Morte houvesse resolvido suspender suas atividades hoje! A Ceifadora levou para si Saramago e nos deixa com o coração apertado e lágrima nos olhos.  Como diria Desmond David Hume: See you in another life, brother!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Natal-RN

 Morro do Careca - Ponta Negra
Oi pessoas,
estou de volta depois de umas merecidas férias de uma semana em Natal-RN. Muito sol e muito mar. Estou até dormindo melhor (isso para mim é muuuuuuuita coisa). Deixem-me contar minhas aventuras.
C.A tinha um congresso para ir em Natal e eu estava louca para sair dessa loucura chamada Fortaleza e precisava só de uma desculpa: arrumei um concurso para fazer lá.
Resolvemos ir de carro. Aqui eu abro um parêntese: não deixe de fazer a revisão no seu carro antes de encarar sete horas de viagem. Clique no link para acessar a checklist para antes da viagem. Ainda não GPS, assim comprei um Guia Quatro Rodas, que vem com um mapão.
Devo confesar que há um grande defeito nesse guia: os mapas das cidades não são completos... tudo bem se concentram nas principais atrações, restaurantes e hotéis, mas quando você precisa sair um pouco da rota turística, o guia o deixa na mão.
De qualquer forma, imprimimos os mapas do Google Maps e conseguimos chegar, praticamente sem imprevistos, salvo o fato de que eu acabei levando a gente para uma rua sem saída porque me confundi com as placas. Mas eu mereço um bom desconto, porque a gente foi parar na beira da praia.
De volta à rota, chegamos no albergue. O albergue Verdes Mares é associado a HI (Hostel International) e tem ótimas instalações por um preço melhor ainda. Se você for associado à FBAJ (Federação Brasileira de Albergues da Juventude) ainda sai mais barato. Tem quartos coletivos, individuais, para casal e para família. Eles disponibilizam cozinha e lavanderia. É uma opção bem em conta. Ainda mais quando se vai passar 7 dias!
Outro motivo para se hospedar lá, é a localização do albergue: na Ponta Negra. Uma das áreas mais badaladas de Natal. Praias a perder de vista, hotéis incríveis. Tudo tem lá.
Gostei muito da cidade de Natal. Superlimpa. As vias muito conservadas e bem sinalizadas (essencial para pessoas que, como eu, tem facilidade em se perder). Apesar da folga, eu continuei assistindo às aulas do meu curso e não tive dificuldade de chegar lá.
A comida é boa, bem servida, um pouco cara, mas, no final das contas, compensa, porque, você pede um prato para duas pessoas e quatro enchem a barriga. Confira:
-Erva doce (próximo ao albergue)
-Coronel Mostarda (valor fixo - guarnições e suco/refrigerante à vontade + 3 opções de carne)
-Guinza

 Forte dos Três Reis Magos
A gente visitou o Forte dos Três Reis Magos. É uma construção bélica na beira da praia, com direito a canhões, prisões, etc. Faça a visita guiada. Não deixe de provar os sorvetes de frutas na antiga prisão: mangaba, cajá, ameixa, tamarindo, banana etc. e ainda alguns sabores mais inusitados como chocolate com pimenta e rapadura com castanha.

 Ponte Newton Navarro
Aproveitamos para ver o pôr-do-sol antes de passar pela Ponte Newton Navarro.

 Museu Câmara Cascudo
Visitamos ainda o Museu Câmara Cascudo, destaque para a mostra de anatomia com esqueletos incríveis de mamíferos.

 Piscinas Naturais - Pirangi

No último dia, fomos mais longe. Seguimos para Pirangi, até a Marina Badauê fazer um passeio de barco até as piscinas naturais, onde é possível mergulhar. No valor do passeio está incluso a máscara e snorkel. Cada pessoa recebe um bocal novo e lacrado para usar. Eles sugerem e eu concordo com o uso de sandálias próprias para andar sobre as formações lá. Você pode alugar no barco. O passeio dura duas horas. Vale a pena.

Depois de almoçar no restaurante do hotel, seguimos em direção à Praia da Pipa. Paramos na Cacimbinha, na Baía dos Golfinhos para fotos e descemos até a Praia do Amor. Depois do dia bastante agitado, ainda fomos ao Guinza. Ambiente elegante e música ao vivo de qualidade (vale o preço do covert artístico). Tem ainda um ambiente chamado Guinza Blue no estilo meio boate, mas estava muito parado lá, preferimos ficar no restaurante.
Praia do Amor

Ufa! Ainda acho que foi pouco. Ainda volto lá para conhecer o resto. Apesar de ter passado sete dias, aproveitamos praticamente apenas o 1º domingo e a sexta-feira final, porque o congresso ocupou  grande parte desse período. Mas deu para descansar, se divertir bastante e mudar de ares.
Ah, já ia esquecendo. Não conseguimos visitar o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, porque perdemos o dia de visita, que era quarta-feira a tarde. Quando liguei para lá, fui informada que nesse dia, às 14h, sai um ônibus que leva gratuitamente os visitantes por todas as instalações.
Visite Natal, vale muito a pena!

sábado, 22 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sem desculpas agora!

Estamos entrando em um ritmo cada vez mais enlouquecido de vida, mas dá tempo para viver. Ler então (fora para os viciados) fica em segundo plano. Mas com a grande disponibilidade de player portáteis e bons títulos em audiobooks, não dá mais para dar a desculpa que não dá tempo de ler. 
Com os engarrafamentos enormes que temos que enfrentar todos os dias, uma boa pedida é ouvir uma boa história, sem precisar nem mesmo tirar a atenção dos carros a frente.
A Editora Plugme oferece diversos títulos de livros em mp3 com muita qualidade, com direito a efeitos sonoras e dramatização. Adorie Marley e eu, narrado por Luís Mello, com direito a latido e tudo. Uma delícia. O texto é integral (sim, eu conferi no livro). Para melhorar ainda mais, os preços baixaram: tem títulos a R$ 9,90 (para download). (Não, esse post não é patrocinado... ainda).
Mas se você não está a fim de pagar, outra opção (legal e autorizada) é o LIBRIVOX. É um projeto maravilhoso associado ao projeto Guteberg (acervo de textos em domínio público), em que os textos literários que são lidos por voluntários e disponibilizados em áudio (em diversos idiomas) gratuitamente para download. E  se além de ouvir, você quiser participar, basta se cadastrar e solicitar um capítulo para ler. Eles tem todas as instruções e indicações de softwares que devem ser utilizados.
Outra vantagem do livro em audio é a preservação ambiental, já que se utiliza uma quantidade de material bem menor, e no caso dos arquivos disponibilizados na internet, nenhum (se você ouvir on line ou em seu player portátil).
Eu ainda prefiro o livro físico, apesar de todas essas vantagens. Acho que meu amor pelos livros ainda consegue ser maior do que minha consciência ecológica (uma rara exceção). O que posso dizer: é um vício! Agora, deixa de enrolação e  vai ouvir um livro!
P.S. no site da Plugme você pode ouvir trechos dos livros (só para ficar na vontade)
P.S. Ao ouvir os livros no carro/moto, enquanto estiver conduzindo o veículo, lembre-se que não deve usar fones de ouvido, hein! Dá multa!(art. 252, VI, CTB)

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